As cebolas têm camadas! Os Ogros têm camadas!


Provavelmente uma das frases mais conhecidas de toda a franquia do verde, simpático e porcalhão Shrek.


"As cebolas têm camadas! Os Ogros têm camadas!"


Pra quem assistiu pelo menos um filme do Ogro aí, saca que essa é uma frase muito verdadeira. Shrek é um cara que tenta se impor através de uma impávida e corpulenta aparência, somada com uma ímpar e engraçada grosseria. Vive esbravejando pra quem quiser ouvir que, sua vida era muito melhor quando era sozinho e podia fazer tudo a seu tempo, tentando demonstrar que não precisa de ninguém para ser feliz. Será mesmo?

Como disse acima, se você conhece um tico da vida do Shrek sabe que essa primeira "camada" é só uma forma de se proteger, pois na verdade o verdão aí tem um ótimo coração e curte demais estar com a galera que ele ama, mesmo o burro, "uma besta ambulante de irritação constante".

CAMADAS

Cebolas, ogros, sentimentos, personalidade... Difícil entender como tudo isso acaba fazendo um grande sentido no final das contas.

Quando conhecemos alguém, temos um costume de julgar a primeira camada, a parte rasa. Afinal, é mais fácil. Até aí tudo bem, o grande problema é que tentamos julgar e medir o mundo pela nossa própria régua. Tentamos enquadrar as pessoas em uma forma que nós mesmo criamos. Aí, quando essa "primeira impressão" não casa com aquilo que gostamos, acabamos julgando, medindo e enquadrando.

Sempre que falo isso, as pessoas costumam se defender:

"Nãoooo! Eu não faço isso."

Aham!!! Tolo e presunçoso é quem acha que não faz isso.
Todo mundo tem uma forma de ver o mundo, e não há mal nenhum em olha-lo por aí, afinal olhamos o outro com os nossos próprios olhos. E por serem nossos, são cheios de opiniões formadas através de uma vida. O problema é o que fazemos depois desse primeira impressão. O problema é julgar e descartar ao invés de tentar entender e aprender.

Toda vez que cortamos alguém que é diferente de nós, acabamos perdendo uma grande oportunidade de crescer. Poxa, é uma conta simples; sempre que colocamos algo igual a gente na nossa vida, acabamos enchendo ela de mais do mesmo. Agora, quando sacamos nosso óculos de ver o mundo e damos uma chance de vê-lo através do olhar do outro, começamos a conhecer um mundo novo. E portanto, encher anda mais a mochila de suprimentos que carregamos para enfrentar essa jornada que se chama vida.

"Pré conceitos" que nunca se tornam "pós conceitos". Tudo isso porque temos um puta medo de sairmos do nosso sagrado "status quo" e viver o mundo mais visceralmente ao invés de tão superficialmente.


O diferente sempre vai ser diferente! Mas nem sempre o diferente é errado.


Sim, eu digo isso mas também sou cheio de "pré-conceitos." Apesar de ser uma luta diária, sempre acabo pecando por não dar uma chance ao diferente. E essa luta se intensifica quando quem sofre com o julgamento da primeira camada sou eu mesmo.

Como diria o Burro: "Cebolas são fedorentas e fazem você chorar." Às vezes eu sou essa cebola! Às vezes eu enrijeço minha primeira camada como forma de proteção. E é nessa hora que imagino que muitos também o fazem. E quando sou eu que sofro, acabo pensando: "Ei, calma lá, eu sou mais que isso aqui. Na verdade isso é só um pedaço. A parte mais bacana aparece depois que você me conhece melhor. Estou me escondendo atrás dessa camada de orgulho, mas é pra me proteger. Não imagina como me fodo quando ela não está aqui."

CAMADAS E MAIS CAMADAS

Mas sabe qual é a pior parte de ter camadas? É quando usamos elas para nos escondermos de nós mesmos. A gente se esconde por trás de muita pose, orgulho e "gogó". Tentamos ser quem não somos, na esperança de sermos considerados fortes, de sermos aceitos.

E tentamos, com muita veemência, sustentar uma fachada que, cedo ou tarde, cai. E o pior é que a gente cai junto. Mas mesmo se o tombo for grande, levantamos e tentamos mantê-la, como se nada tivesse acontecido.


Mas uma hora sua ansiedade ou aquela sensação de não pertencimento te pega pelo pé. Fica difícil de ignorar esse buraco no peito, esse monte de dúvidas e medos. Mas aí você continua levando tudo no peito, dizendo que é bobagem e que não é tão importante assim.

Aí você usa qualquer coisa pra tentar fugir ainda mais de si mesmo. 2 kg de chocolate, 5 litros daquela cerveja vagabunda, 3 litros de sorvete. Esquecer quem você é, perder seus sentidos e esquecer que sequer um dia se sentiu daquele jeito.

Tudo bem, CAMPEÃO. Você é livre para fazer o que tiver vontade. Vá fundo, esqueça da sua vida. Mas tenha certeza que sua natureza, aquela mais profunda... Ela não esquece de você. Seu verdadeiro eu nunca deixa de existir assim. Ele sempre volta, te tira o sono, te causa ânsia, mal-estar, nó na garganta.

Então, uma hora... em algum momento tá na hora de se sentir livre pra parar, mandar o mundo em volta tomar naquele lugar, olhar pra dentro e se perguntar honestamente:

"E aí, como que você tá hoje?"
"Eu realmente gosto da onde estou?."
"É só isso mesmo?"
"Não tenho capacidade. E agora?
"Mereço mais que isso?"
"Sou diferente, e daí?"

Se responder isso com sinceridade, vai sentir vários socos na boca do estômago. Mas tá tudo bem, depois de um tempo aprende-se que esse socos doem menos do que ignorar as respostas.

Por que tudo bem ter medo. Tudo susse não se achar merecedor do que você deseja. E esses sentimentos merecem atenção sim. Tá na hora de ser quem você quer ser, e parar de se proteger com essas camadas. Tá na hora de se perdoar e se aceitar mais.

Você é maior que todo esse barulho aí de dentro. Nosso autojulgamento nos faz pensar que as camadas que vêm depois da primeira são os nossos medos, as nossas inseguranças ou as nossas fraquezas. Não são!!! Nosso centro nos mantém em pé. A camada da esperança, da intensidade, da sua persistência e do seu amor próprio. As camadas de dentro nos fazem acordar todos os dias de manhã, querendo conquistar, vencer e transcender.

Inspire-se

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